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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A sobriedade do jovem


Caríssimos filhos


Este encontro semanal do Papa com os jovens e os adolescentes — tão entusiasta e tão cheio de vivacidade verdadeiramente sinal de alegria e de esperança. Sinal de alegria, porque onde há jovens, adolescentes ou crianças, há certeza de alegria, uma vez que está a vida no seu florir mais espontâneo e viçoso. Vós possuís em abundância e dais generosamente esta "alegria de viver" a um mundo que às vezes esta cansado, desanimado, desconfiado e desiludido. Sinal de esperança é também este nosso encontro, porque os adultos — não só os vossos pais mas também os vossos professores e todos quantos ajudam o vosso crescimento e maturação física e intelectual — vêem em vós aqueles que hão-de realizar aquilo que eles, pela variedade das circunstâncias, não puderam talvez levar a termo.


Portanto, um jovem sem alegria e sem esperança não é autêntico jovem, mas homem murcho e envelhecido antes de tempo. Por isso vos diz o Papa: Levai, comunicai e irradiai a alegria e a esperança! O assunto da Audiência de hoje está profundamente relacionado com tudo o que recordei até agora: nas quartas-feiras precedentes, continuando o esquema deixado quase como testamento pelo meu saudoso Predecessor João Paulo I, falei das virtudes cardeais: prudência, justiça e fortaleza. Hoje quero deter-vos brevemente com a quarta virtude cardeal: a temperança, a sobriedade. São Paulo escrevia a seu discípulo Tito, que deixara como bispo na ilha de Creta: Exorta os jovens a serem sóbrios (Tit 2, 6). Seguindo eu também a exortação do Apóstolo das Gentes, desejaria começar por dizer que as atitudes do homem, provenientes de cada uma das virtudes cardeais, são entre si interdependentes e unidas. Não se pode ser homem verdadeiramente prudente, nem autenticamente justo, nem realmente forte, não se possuindo a virtude da temperança. Esta condiciona indirectamente todas as outras virtudes; mas também estas são indispensáveis para que o homem possa ser "temperante" ou "sóbrio".Temperantia est commune virtutum cognomen — escrevia no século VI São João Clímaco (Escada do Paraíso, 15) — isto é, poderíamos traduzir, "a temperança é o denominador comum de todas as virtudes".
Poderia parecer estranho falar da temperança ou da sobriedade a jovens e a adolescentes. Mas, filhos caríssimos, esta virtude cardeal é necessária de modo particular a vós, que vos encontrais no período maravilhoso e delicado, em que a vossa realidade biopsíquica cresce até à maturação perfeita para serdes capazes, física e espiritualmente, de enfrentar as alternativas da vida nas suas mais desvairadas exigências.
Temperante é aquele que não abusa dos alimentos, das bebidas e dos prazeres; que não toma desmedidamente bebidas alcoólicas; que não se priva da consciência mediante uso de estupefacientes ou drogas. Em nós podemos imaginar um "eu inferior" e um "eu superior". No nosso "eu inferior" exprime-se o nosso "corpo" com as suas carências, os seus desejos, as suas paixões de natureza sensível. A virtude da temperança garante a cada homem o domínio do "eu superior" sobre o do "inferior". Trata-se, talvez, neste caso, de humilhação, de diminuição para o nosso corpo? Pelo contrário! Esse domínio valoriza-o, exalta-o.
O homem temperante é aquele que é senhor de si mesmo; aquele em que as paixões não tomam a supremacia sobre a razão, sobre a vontade e também sobre o coração. Entendamos portanto como a virtude da temperança é indispensável para que o homem seja plenamente homem, para que o jovem seja autenticamente jovem. O triste e aviltante espectáculo dum alcoólico ou dum drogado faz-nos compreender claramente como "ser homem" significa, antes de qualquer outra coisa, respeitar a própria dignidade, isto é, deixar-se alguém conduzir pela virtude da temperança. Dominar-se a si mesmo, as próprias paixões e a sensualidade não significa de maneira nenhuma tornar-se alguém insensível ou indiferente; a temperança de que falamos é virtude cristã, que aprendemos com o ensino e o exemplo de Jesus, e não com a chamada moral "estóica".
A temperança exige de cada um de nós urna especial humildade a respeito dos dons que Deus colocou na nossa natureza humana. Há a "humildade do corpo" e a do "coração". Esta humildade é condição necessária para a harmonia interior do homem, para a sua beleza íntima. Reflecti bem nisto, vós jovens, que estais precisamente na idade em que tanto se estima ser belo ou bela para agradar aos outros! Um jovem e uma jovem devem ser belos primeiramente e sobretudo interiormente. Sem tal beleza interior, todos os outros esforços que só tenham o corpo por objecto não farão — nem dum jovem nem duma jovem — uma pessoa verdadeiramente bela.
Desejo, filhos caríssimos, que irradieis sempre beleza interior.



por Papa João Paulo II * 

terça-feira, 5 de julho de 2011

Beato Pier Giorgio Frassati


segunda-feira, 18 de abril de 2011

Protagonista do milagre atribuído a João Paulo II revela detalhes inéditos de sua cura



A religiosa francesa Marie Simon Pierre revelou detalhes inéditos do milagre que permitirá a beatificação do Papa João Paulo II no próximo 1º de maio, como o fato de experimentar um grande desejo de rezar poucos instantes antes de descobrir que tinha sido curada do mal de Parkinson, a mesma enfermidade que sofria Karol Wojtyla.


Em uma entrevista concedida em 14 de janeiro à rede francesa KTOtv e à italiana RAI Vaticano, a religiosa relata que "o dia 2 de junho de 2005 foi o dia da minha cura. Esse dia pela manhã eu estava completamente impedida e já não podia mais".

"Pensei em procurar a irmã Marie (superiora de sua comunidade) para pedir minha demissão, deixar de brindar meu serviço na maternidade onde trabalhava com muitas pessoas sob a minha responsabilidade. Sentia-me muito pesada e me disse: é necessário que eu pare, que eu deixe o serviço. Eu não posso fazer que isto deixe de avançar, não é possível".

O pedido da irmã Marie Simon Pierre foi rechaçado com amabilidade e em troca sua superiora lhe propôs pedir a graça de sua cura ao João Paulo II.

Quando isto aconteceu, "sentimos por um bom momento uma grande mudança em seu escritório, diria que uma grande paz, uma paz muito grande e uma grande serenidade, sentia-me muito aprazível, ela também".

Nesse momento, pediu-lhe escrever o nome de João Paulo II em um papel. O avanço do Parkinson tinha afetado seu braço esquerdo e sofria de intensos tremores. Sua superiora lhe propôs escrever com a mão direita. "Disse-lhe que não podia porque minha mão direita também ficava a tremer, mas ela insistiu: 'sim você pode, sim pode'".

Escreveu algo ilegível mas pensou que de repente "ocorrerá um milagre se é que acredito".

"Fui e segui com meu serviço. Essa noite segui a jornada como de costume com a cena comunitária, logo um pouco mais de trabalho e depois a oração noturna na capela".

Ao retornar ao seu quarto, a irmã Marie Simon-Pierre se obrigou a escrever e teve uma grande surpresa ao ver que nesse momento ela pôde fazê-lo bem.

Passou uma noite tranqüila e dormiu bem, sem a insônia habitual que apresentava pela dor do Parkinson. Às 4:30 da madrugada do dia 3 de junho despertou sentindo que "já não era a mesma. Havia uma alegria interior e uma grande paz; e logo me surpreendi muito pelos gestos do meu corpo".

Ao mesmo tempo despertou nela "um grande desejo de rezar. Nessa hora não tinha autorização para rezar, mas rezei".

Rezou diante do tabernáculo do oratório da maternidade "sempre com uma alegria muito profunda" meditando ademais os mistérios luminosos do Papa João Paulo II.

Às 6:00 a.m. sua comunidade assistia à Eucaristia, assim que se dirigiu do oratório à capela.

Nesse trajeto "percebia que meu braço esquerdo já não ficava imóvel ao caminhar mas balançava normalmente. Na Eucaristia tive a certeza de que estava curada".

http://www.acidigital.com/noticia.php



 Por este milagre, o Papa João Paulo II será beatificado no dia 01 de maio de 2011, na Festa da Misericórdia.


Bem-aventurado João Paulo II, rogai por nós!

sexta-feira, 25 de março de 2011

Beata Chiara Luce Badano




Foram necessários apenas 25 minutos para que a jovem Chiara "Luce" (Luz) Badano desse um "sim" definitivo e irrevogável a Jesus. A postura decidida da jovem alcançou um de seus frutos mais importantes no sábado, 25. Foi nesse dia que a Igreja proclamou oficialmente a italiana como Beata, a primeira integrante do Movimento dos Focolares a alcançar esse reconhecimento – a jovem era extremamente ativa no Gen (Geração Nova), setor juvenil do Movimento. Participaram da cerimônia milhares de pessoas, de mais de 40 países dos cinco continentes.
Os pais de Chiara, Maria Teresa e Ruggero Badano, casaram-se com 26 anos, mas tiveram que esperar 11 até que tivessem um filho. "Mas percebemos logo que não era filha apenas nossa, era, antes de tudo, filha de Deus, e como tal a devíamos educar, respeitando a sua liberdade", conta Maria Teresa.

Foi com nove anos e meio que Chiara conheceu o Gen e, ao mesmo tempo, que Deus é amor. "Foi um momento fundamental para a vida de Chiara", testemunha Ruggero.

O início da caminhada mais íntima de Chiara rumo ao seu Esposo Jesus, como gostava de chamá-Lo, começou em 1989, quando estava prestes a completar 18 anos. Ela enfrentou o diagnóstico de um osteosarcoma, tipo de câncer nos ossos, após sofrer uma forte dor nas costas durante uma partida de tênis.

A propósito, ela era uma "esportiva por excelência" e gostava de patinação, montanhas e mar, como lembra sua mãe. "Era uma menina cheia de vida: gostava de rir, cantar e dançar. Era uma jovem maravilhosa", complementa.

"Chiara, não tenha medo de dizer-lhe o seu sim, momento por momento. Ele lhe dará a força, esteja certa disso! Eu também rezo  e estou sempre aí com você. Deus lhe ama imensamente e quer penetrar no íntimo da sua alma e fazer com que você experimente gotas de céu. 'Chiara Luce' ('Clara Luz') é o nome que escolhi para você. Você gosta? É a luz do Ideal que vence o mundo. Eu o mando a você junto com todo o meu afeto...", escreve a fundadora do Movimento dos Focolares, Chiara Lubich, em uma das cartas da intensa correspondência que as duas trocaram durante o período da doença.
E os 25 minutos? A mãe da jovem beata conta essa história, que aconteceu logo depois da primeira sessão de quimioterapia a que Luce teve que se submeter:

"Naquele dia, eu não podia acompanhá-la, porque estava com flebite e o médico tinha me proibido qualquer movimento. Depois de duas horas intermináveis, Ruggero e Chiara voltaram. Ela vinha na frente, caminhando lentamente, vestida com a sua jaqueta verde. Tinha o rosto sombrio e olhava para o chão. Perguntei como tinha sido e ela, sem me olhar, respondeu: 'Não diga nada agora', e se jogou na cama com os olhos fechados. Aquele silêncio era terrível, mas eu tinha que respeitá-lo. Eu olhava para ela e pela expressão de seu rosto via toda a luta que estava travando interiormente para dizer o seu ‘sim’ a Jesus. Passaram 25 minutos. De repente ela se girou na minha direção, com o sorriso de sempre, dizendo: 'Agora você pode falar'. Naquele momento eu me perguntei quantas vezes ela iria ter que repetir o seu sim, no sofrimento. Mas Chiara precisou, como eu já disse, de 25 minutos, e desde então nunca mais voltou atrás".

Chiara veio a falecer em 7 de outubro de 1990. Ela mesmo havia preparado tudo: as canções de seu funeral, as flores, o penteado, o vestido de noiva, para a sua 'festa de núpcias' com o Senhor.


"As suas últimas palavras – que não foram o seu último ato de amor, porque esse foi a doação das suas córneas a dois jovens – quando se despediu, foram: 'Tchau mamãe! Esteja feliz, porque eu estou feliz'", relata Maria Teresa.


O processo de Beatificação


A iniciativa do processo de beatificação deve-se ao bispo de Acqui, Dom Lívio Maritano, que conheceu Chiara Badano pessoalmente. Eis a motivação: “Pareceu-me que o seu testemunho foi significativo sobretudo para os jovens. Precisamos de santidade nos dias de hoje. Temos que ajudar os jovens a encontrar uma orientação, um objetivo, a ultrapassar a insegurança e a solidão, os seus enigmas perante os insucessos, o sofrimento, a morte, e todas as preocupações. O testemunho de fé e de fortaleza desta jovem é surpreendente. Impressiona, leva muitas pessoas a mudar de vida, temos testemunhos quase
todos os dias”.

O processo durou 11 anos. A fase diocesana, entre 11 de junho de 1999 e 21 de agosto de 2000, e no Vaticano, entre 23 de agosto de 2000 a 8 de Julho de 2008, quando a Serva de Deus, com o reconhecimento das “virtudes heroicas”, foi declarada Venerável.

Em 10 de Dezembro de 2009, foi proclamado o decreto pontifício sobre o milagre por intercessão de Chiara Badano: a cura imprevista e inexplicável de um rapaz de Trieste, com uma gravíssima forma de meningite fulminante. Os médicos haviam dado-lhe apenas 48 horas de vida.


Extraído :Vocacional Nova Jerusalém