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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Basta-te minha graça

Fernanda Moreno 
Caro leitor gostaria de iniciar esse artigo orando com a letra da seguinte música: “O amor me faz compreender que me basta o que vem de meu Deus, a graça que me sustenta vem do Espírito de Deus”. O que fazer quando não conseguimos mais? Como reagir diante dos fracassados propósitos que fazemos para mudar, amar, sermos santos, fiéis a Deus, a vocação, ao nosso estado de vida, oração, família, profissão... É desanimador ver que as forças, desejos, motivações e intenções tão firmes de outrora falham e que caímos inúmeras vezes nas mesmas imperfeições e pecados que dávamos até por vencidos. O que será de nós? O que será de mim? Como disse o Senhor a Paulo: “Basta-te minha graça”. Deus é quem dá a Palavra. Jesus é o grande Rei, o Pastor, o Salvador e o Pai colocou tudo em suas mãos. A graça que recebemos não é em vão! 

Lembremos do caminho dos discípulos de Emaús, a sua desilusão, o vazio interior, acreditaram no seu Mestre e de repente viram tudo aparentemente acabado durante aqueles três dias. O profeta que ia liberar Israel havia morrido. Como não estavam aqueles corações? O deserto interior que viviam, como não deviam estar sem chão. Os discípulos sem o Mestre. Ovelhas sem pastor. Mas muitas vezes em nossa vida espiritual passamos e vamos passar por isso. Porque esse caminho no qual precisaremos lembrar das promessas de Deus para não desfalecermos. Algumas vezes Jesus precisará prosseguir um pouco (Lc 24, 28) para que do nosso coração brote a linda, profunda e por vezes dolorosa frase: “Fica conosco Senhor, porque a tarde está caindo e o dia já começa a declinar.” (24,29) Fica comigo Senhor, porque sem a tua graça nada posso, nem levanto, nem me deito, nem respiro. As quedas já são certas pela nossa pobre condição, porém muito mais certa é a mão do Senhor para nos socorrer, pois a mão de Deus não é curta para nos salvar. Sempre, sempre temos uma chance! Esquecemos facilmente que Deus está conosco e não deixa que as trevas apaguem a caridade em nós. Quanto mais dependentes de Seu amor mais felizes, porque ninguém melhor do que o Senhor para cuidar de nós. Quantas vezes não sabemos como fazer, não entendemos, mas o Senhor sabe tudo. A Sua misericórdia é penetrante, o seu amor é uma potência capaz de renovar, ressuscitar tudo o que está morto em nós. A cada dia tantos homem tenta aniquilar Deus, no hedonismo e na superficialidade das coisas, mas a realidade é: o amor nobre do Senhor nunca falha. Ao contrário do que muitos pensam os mandamentos longe de escravizar e matar nos fazem viver porque “a glória de Deus é o homem vivo.” (Santo Irineu). Aproveitemos das nossas quedas para crescer no amor. Ressuscitemos. Sejamos inteligentes em não nos deixarmos esmagar pelo peso dos nossos pecados, sejamos filhos, não escravos. Como filho podemos gritar: “Fica comigo!” Qual o pai que resiste ao pedido humilde de um filho frágil e doente. “Tendo pois um Sumo Sacerdote eminente que atravessou os céus, Jesus, o filho de Deus, permaneçamos firmes na confissão da fé. De fato, nós não temos um Sumo Sacerdote incapaz de compadecer-se das nossas fraquezas, a nossa semelhança, Ele foi provado em tudo, sem todavia pecar.” (Heb 4, 14-16). Eis o tempo favorável, tempo de amar, de amar na gratuidade, de amar na dor, de amar por amar, de amar e se levantar, de recomeçar, deixando de ser herói mas desejando ser santo. O santo cai e levanta, mas o orgulhoso não porque mesmo caído não admite que caiu. Deixemos que a força de Deus que tudo pode, possa através dessa profunda oração do Pe. Pio tornar o nosso coração dócil a presença amorosa do Senhor em nós. Oração do Santo Pe. Pio após a comunhão Fica comigo, Senhor, porque preciso de tua presença para não te esquecer. Sabes com que facilidade posso abandonar-te. Fica comigo, Senhor, porque sou fraco e preciso de tua presença e tua força, para não cair e pecar tantas vezes. Fica comigo, Senhor, para não cair e pecar tantas vezes. Fica comigo, Senhor, porque és minha luz e sem ti somente vejo escuridão. Fica comigo, Senhor, para me dares a conhecer a tua vontade. Fica comigo, Senhor, para que eu ouça a tua voz e te siga. Fica comigo Senhor, pois desejo amar-te muito e estarei sempre em tua companhia. Fica comigo, Senhor, porque, embora minha alma seja tão pobre, quero que ela seja um ninho de amor, um lugar em que encontres consolo. Fica comigo, Jesus, esta noite, pois a vida tem muitos perigos. Preciso de ti. Deixa que eu te conheça como teus discípulos fizeram no momento em que partiram o pão, para que a comunhão eucarística seja a luz que dissipa as trevas, a força que me sustenta, a única e maior alegria do meu coração. Fica comigo, Senhor, porque na hora de minha morte quero unir-me a ti, se não pela comunhão, pelo menos pela graça e pelo amor Fica comigo, Senhor, pois é só a ti que procuro, teu Espírito, porque te amo e meu único desejo é amar-te cada vez mais. Quero amar-te com todo o meu coração enquanto estiver na terra e continuar a amar-te com mais perfeição durante toda a eternidade. Amém.

Fonte: comshalom.

domingo, 20 de novembro de 2011

Vencendo a tibieza



Josefa Alves Em alguns períodos da nossa vida, podemos detectar em nós alguns dos sintomas da tibieza: a frieza, a apatia, o desânimo, a insatisfação com Deus e conosco mesmo, a falta de estímulos para a oração diária, e até mesmo a falta de forças para decidir por algo ou desistir de alguma coisa. Se sofremos deste mal, há esperança para nós e o remédio é infalível: precisamos de um novo, belo e santo Pentecostes!É preciso, em primeiro lugar, tomar consciência da nossa condição de necessitados de uma renovação constante do Espírito Santo em nossa vida. O clamor constante e a abertura necessária à ação da graça farão de nós homens e mulheres fervorosos, capacitados pelo Espírito a transbordar no mundo o amor infinito de Deus.


Uma alma tíbia é uma alma morna, fraca, preguiçosa, desanimada e sem fervor. Esta “doença” traz sérias conseqüências, não só à nossa vida espiritual, mas a todas as realidades da nossa existência. Ela é conseqüência do pecado e desenvolve-se com facilidade nas almas que não são muito amigas das renúncias, sacrifícios e orações. Mas pouco adianta dizer, simplesmente, que é preciso aplicar à doença da tibieza o remédio do fervor. Seria como dizer a um doente que o remédio para ele é a saúde, ignorando que este é o seu problema: a falta de saúde.O único remédio contra a tibieza é o Espírito Santo, porque não existe verdadeiro fervor se não for inflamado pelo fogo do Espírito. O pecado endurece o coração e torna a pessoa indiferente a Deus. O Espírito nos aponta as raízes do pecado, fortalece-nos para a batalha, fecunda em nós os seus dons, purifica-nos, aquece e inflama o nosso ser.O Espírito Santo não se contenta em purificar-nos do pecado, mas prolonga a sua ação em nós até nos fazer “fervorosos no Espírito”. Comporta-se em nós como o fogo quando se apega à lenha úmida: primeiro a expurga, arrancando-lhe com barulho todas as impurezas, depois a inflama progressivamente, até que se torne toda incandescente e ela mesma se transforme em fogo. Ele, que faz novas todas as coisas, quer fazer fervorosos os homens tíbios.Concretamente, isto quer dizer que o Espírito Santo nos preserva de cair na tibieza, e se por acaso já nos encontrarmos neste estado, livra-nos dela. É impossível sair da tibieza sem uma intervenção decisiva do Espírito; se tentarmos fazê-lo mergulharemos ainda mais no pecado do orgulho.Olhemos para os apóstolos antes de Pentecostes: eram tíbios, incapazes de vigiar uma hora, discutiam sempre sobre quem seria o maior, ficavam espantados diante de qualquer ameaça. Depois que o Espírito veio sobre eles como línguas de fogo, tornaram-se a imagem viva do zelo, do fervor e da coragem. Fervorosos no pregar, no louvar a Deus, no fundar e organizar as Igrejas e, enfim, no sacrificar a vida por Cristo.Cirilo de Jerusalém escreve: “Os apóstolos receberam o fogo que queima os espinhos dos pecados e dá esplendor à alma”, e um escritor medieval escreve: “O Paráclito que, em línguas de fogo, desceu sobre os apóstolos e os discípulos, desce também sobre nós como fogo: para queimar e destruir a culpa, para purificar a natureza, para consolidar e aperfeiçoar a graça, para expulsar a preguiça de nossa tibieza e acender em nós o fervor do seu amor” (Hermann de Runa, Sermões Festivos, 31).

Muitos santos passaram por um longo período de tibieza, mas nenhum deles foi santo sem ter sido encharcado, queimado, transformado pelo poder e ação viva do Espírito Santo.
“Passei nesse mar tempestuoso quase vinte anos, ora caindo ora levantando. Mas levantava-me mal, pois tornava a cair. Tinha tão pouca perfeição que, por assim dizer, nenhuma conta fazia de pecados veniais. Se temia os mortais não era a ponto de me afastar dos perigos. Sei dizer que é uma das vidas mais penosas que se possa imaginar. Nem me alegrava em Deus, nem achava felicidade no mundo. Em meio aos contentamentos mundanos, a lembrança do que devia a Deus me atormentava. Quando estava com Deus, perturbavam-me as afeições do mundo” (Santa Teresa de Jesus, Vida, 8,2).
Quando invocamos o Espírito, clamamos: “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor”, e ainda: “Aquece o que está frio”. Às vezes este clamor também é frio, porque fria é a nossa esperança. Em Ezequiel 37 temos outra imagem clara de um povo tíbio: “nossos ossos estão secos, nossa esperança está morta”, mas é a poderosa ação do Espírito Santo que faz estes ossos secos retornarem à vida.
Com o auxílio da graça, portanto, é possível sair da tibieza e passarmos da condição de frios e temerosos a fervorosos no Espírito!
 


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Edith Stein e a Ciência da Cruz

A Igreja aponta como exemplo uma mulher que achava injusto produzir filosofia e fechar os olhos à miséria.A canonização de Edith Stein, no dia 11 de outubro de 1998, como todo ato solene da Igreja ao declarar a santidade de uma pessoa, apresentou-a como modelo de vida. Santa Teresa Benedita da Cruz - nome que Edith Stein adotou ao entrar no Carmelo - buscou no recolhimento interior a fonte de um dinamismo avassalador que a levou a uma produção de mais de mil e quinhentas páginas impressas, numa das quais declarou: "quanto mais profundamente alguém é atraído para Deus, tanto mais intensamente deve 'sair de si' para irradiar ao mundo vida divina".Nascida em 12 de outubro de 1891, Edith Stein foi a sétima filha de um casal de judeus piedosos habitantes de um gueto na cidade de Breslau (hoje Wroclaw, no sudoeste da Polônia). Seu pai morreu em uma viagem de negócios quando ela tinha apenas três anos, o que fez sua mãe assumir o comércio familiar de madeiras. Com o amadurecimento nos estudos, especialmente da filosofia, irá se desligando da religião: "a sede da verdade era minha única prece".Em Göttingen, reúne-se ao grupo da fenomenologia de Husserl, de que faziam parte Dietricht von Hildebrand e Max Scheler. Dedica-se com empenho às pesquisas acadêmicas até que em agosto de 1914 interrompe os estudos e ingressa na Cruz Vermelha para colaborar no cuidado das vítimas da primeira Guerra Mundial.Husserl a convida para ir a Friburgo organizar os seu manuscritos em 1916. Edith Stein doutora-se no ano seguinte. Mulher sóbria, mas com muitos amigos, como os Conrad-Martius, na casa dos quais passa uma temporada para descansar um pouco. Era uma residência de férias na Baviera. Numa noite de insônia, procura um livro e toma nas mãos uma obra de Santa Teresa de Jesus, o Livro da Vida, que é uma narração clássica, na verdade um convite que em certas passagens adquire um tom de intimação carinhosa para que a alma entre por caminhos de oração.No dia seguinte providencia um missal e um catecismo que estudará cuidadosamente. Dias depois, assiste à Santa Missa e pede ao pároco que lhe administre o batismo. Após ter sido advertida de que é necessária uma preparação prévia - a catequese - Edith pede que ele a interrogue. Admirado com os conhecimentos da jovem, o sacerdote marca a data do batismo para o dia 1º de janeiro de 1922, e ela escolhe o nome cristão de Teresa.A conversão de membros de famílias hebraicas provoca uma mudança de vida. Edith Stein não ignora a profundidade das conseqüências de sua atitude, mas faz questão de contar para a mãe a sua opção. Cai de joelhos à sua frente e diz: "Mamãe, eu sou católica". Anos mais tarde recorda que foi a primeira vez que a viu chorar. Carinhosa e filial, permanece em Breslau seis meses acompanhando a mãe e freqüentando com ela a sinagoga. Não há como negar os fatos, e a anciã deixa-se impressionar: "Eu nunca vi ninguém rezar como Edith".Após doze anos de espera, ingressa no Carmelo em 15 de outubro de 1933. Nos intervalos entre as atividades do convento, escreve muitas obras, como o livro Ser finito e ser eterno, um tratado sobre o homem e Deus em que se ocupa da Einfühlung, ou empatia, tema próprio da fenomenologia. A empatia para ela é uma das várias possibilidades de encontrar o outro e viver em uma comunidade. Na sua opinião é injusto produzir filosofia e manter-se alheio à miséria e às mortes do mundo. Para fugir do nazismo dirige-se, sob ordens de suas superioras, a um carmelo em Echt, na Holanda, onde aprenderá seu sétimo idioma, o holandês.Para a fenomenologia, o aparecer dos conceitos na mente, a intuição, a experiência vital são temas centrais. Como o valor de uma doutrina se mede pela sua potencialidade de ser encarnada em pessoas, o valor da obra de Edith é significativo - seu último livro, A ciência da cruz, foi uma espécie de antevisão do que aconteceria com ela.No dia 2 de agosto de 1942 os oficiais nazistas buscaram-na no parlatório do convento. Em sua última carta às monjas diria: "A ciência da cruz não se pode adquirir sem que ela nos pese realmente sobre os ombros. Desde o primeiro instante eu estava convencida, e a mim mesma me dizia: Ave crux, spes unica!". A data e o local exato de sua morte são desconhecidos, sendo bastante provável que tenha morrido em Auschwitz, entre 2 e 9 de agosto de 1942.Na cerimônia de sua canonização, a que assistiram milhares de pessoas, o Papa João Paulo II disse que o ato deveria ser uma "ponte de compreensão" entre os católicos e os judeus. A declaração de santidade de uma pessoa que viveu a espiritualidade católica deve ser interpretada como uma proclamação de que os melhores exemplos para os católicos são os santos, entre os quais está Edith Stein.Como autêntica judia, solidarizava-se com os sofrimentos de seu povo. Como autêntica cristã, soube encontrar a Cruz nos horrores da perseguição nazista. Em suas palavras, "mas agora se acendeu de repente uma luz em mim! Deus tinha colocado de novo sua mão bem pesada sobre seu povo e compreendi que a sorte desse povo era também a minha", e "o que se poderia dizer a mim para consolo? Consolo humano certamente não há, mas quem coloca a cruz como passagem para a vida, entende que o peso se torna suave e leve". Não há cristianismo verdadeiro, genuíno, sem participar, de algum modo, no mistério da Cruz. Os santos compreenderam essa realidade, e a Cruz os eleva até os cumes do amor de Deus: dar a vida.
por http://www.cleofas.com.br

terça-feira, 15 de novembro de 2011

O verdadeiro temor do Senhor


Feliz és tu se temes o Senhor e trilhas seus caminhos (Sl 127,1). Todas as vezes que na Escritura se fala do temor do Senhor, nunca se fala isoladamente, como se ele bastasse para a perfeição da nossa fé; mas vem sempre acompanhado de muitas outras virtudes que nos ajudam a compreender sua natureza e perfeição. Assim aprendemos desta palavra que disse Salomão no livro dos Provérbios: Se suplicares a inteligência e pedires em voz alta a prudência; se andares à sua procura como ao dinheiro, e te lançares no seu encalço como a um tesouro, então compreenderás o temor do Senhor (Pr 2,3-5).
Vemos assim quantos degraus são necessários subir para chegar ao temor do Senhor.
Em primeiro lugar, devemos suplicar a inteligência, pedir a prudência, procurá-la como ao dinheiro e nos lançar-mos ao seu encalço como a um tesouro. Então chegaremos a compreender o temor do Senhor.
Porque o temor, na opinião comum dos homens, tem outro sentido. É a perturbação que experimenta a fraqueza humana quando receia sofrer o que não quer que lhe aconteça. Este gênero de temor manifesta-se em nós pelo remorso do pecado, pela autoridade do mais poderoso ou a violência do mais forte, por alguma doença, pelo encontro com um animal feroz e pela ameaça de qualquer mal.
Esse temor, por conseguinte, não precisa ser ensinado, porque deriva espontaneamente de nossa fraqueza natural. Não aprendemos o que se temer, mas são as próprias coisas temíveis que nos incutem o terror.

Pelo contrário, sobre o temor de Deus, assim está escrito: Meus filhos, vinde agora e escutai-me: vou ensinar-vos o temor do Senhor Deus (Sl 33,12). Portanto, se o temor do Senhor é ensinado, deve-se aprender. Não nasce do nosso receio natural, mas do cumprimento dos mandamentos, das obras de uma vida pura e do conhecimento da verdade.
Para nós, todo o temor do Senhor está contido no amor, e a caridade perfeita expulsa o temor. O nosso amor a Deus leva-nos a seguir os seus conselhos, a cumprir os seus mandamentos e a confiar em suas promessas. Ouçamos o que diz a Escritura: E agora, Israel, o que é que o Senhor teu Deus te pede? Apenas que o temas e andes em seus caminhos; que ames e guardes os mandamentos do Senhor teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma, para que seja feliz (Dt 10,12-13).
Ora, os caminhos do Senhor são muitos, embora ele próprio seja o Caminho. Pois, ele chama-se a si mesmo caminho, e mostra a razão porque fala assim: Ninguém vai ao Pai senão por mim (Jo 14,6).
Devemos, portanto, examinar e avaliar muitos caminhos, para encontrarmos, por entre os ensinamentos de muitos, o único caminho certo, o único que nos conduz à vida eterna. Há caminhos na Lei, caminhos nos profetas, caminhos nos evangelhos e nos apóstolos, caminhos nas diversas obras dos mestres. Felizes os que andam por eles, movidos pelo temor do Senhor. 


por
Dos Tratados sobre os Salmos, de Santo Hilário, bispo, séc IV

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Não te perturbes!


Quer conhecer um roteiro infalível para seu dia a dia? Leia com atenção:Nada te perturbe, nada te espante, tudo passa! Só Deus não muda. A paciência, por fim, tudo alcança. Quem a Deus tem, nada lhe falta, pois só Deus basta.Escrito há 500 anos, essa poesia de Santa Teresa de Jesus continua a ensinar o essencial: Só Deus basta! Mas, o que isso significa concretamente?


Vivemos sobressaltados, preocupados. Inquietos, passamos o dia tentando resolver mil coisas. Ansiosos, não conseguimos dormir bem. Preocupados, acabamos por meter os pés pelas mãos no desejo de evitar que aconteça o que nós consideramos “o pior”. Estressados, acabamos por nos irritar contra tudo e todos. Gritamos no trânsito, gritamos em casa, desmoronamos de cansaço.O problema está, entre outras coisas, em achar que sabemos o que é o “melhor” e “pior” para nós. Uma vez estabelecido o que consideramos nos convir ou não, tomamos as rédeas para determinar o que consideramos “melhor”. Ocorre que tudo, mas tudo mesmo, passa e o que ontem nos parecia “o melhor”, hoje é, visivelmente, “o pior”.Fé em DeusA raiz da inquietação, estresse, preocupação e ansiedade que aos poucos nos matam, contudo, reside além do fato de tudo passar, reside na fé.Há a fé que acredita em Deus e reza, contrita, o “Creio em Deus Pai”. Acreditar desse jeito, afirma São Tiago, até os demônios crêem e tremem. Nós, até cremos, quanto a tremer...Há aquela “fé” que pede a Deus o que acha “necessário”, “imprescindível”, “melhor” e fica ressentida com Deus se ele não atende seu pedido por mais que peça através de todos os meios – diga-se de passagem, nem sempre lícitos. É a fé infantil, diria, até, “birrenta”.


Essa fé, “contrariada”, muda de igreja quando não é atendida, assim como criança birrenta põe cara feia e diz aos pais que não é mais filho deles.Há a fé madura, que crê no Evangelho e na Igreja e vive seus ensinamentos, custe o que custar. É a fé dos santos.Há a fé que confia em Deus e a ele se entrega inteiramente, tranquila, pois sabe que ele é Pai e sempre providencia o melhor para nós. E, para Deus, o melhor para nós é a santidade.É essa fé madura e inteiramente confiante no amor de Deus que não se perturba com nada. Sabe ser fiel a Deus e ao Evangelho na penúria e na fartura, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença.Essa fé madura e confiante que é amada por Deus, não se espanta com nada. Nada a escandaliza, ainda que seja grande tristeza. Seus olhos não estão aqui na terra, mas fixos no céu. Sabe que, aqui na terra, tudo passa, tudo muda. Sabe que tudo pode nos enganar e iludir. Sabe, sobretudo, que Só Deus é o mesmo sempre. Só Deus não muda. Só o amor de Deus é sempre o mesmo, pois ele é amor em ato. Essa fé não vive para a terra nem valoriza o que à terra pertence. Vive para o céu, usando as coisas da terra para alcançá-lo.Paciência de AutodomínioPor isso tem paciência. Não aquela paciência de autodomínio, nem aquela que rói as unhas e balança as pernas para controlar a impaciência interior. Trata-se, aqui, da paciência-esperança, a paciência-fé, a paciência-amor.É aquela paciência que sabe que Deus está no comando. Sabe que ele pode tudo e tudo realiza por amor. Está certa de que, no tempo de Deus – e não no seu! – ele mesmo resolverá da melhor forma de todas, sempre visando nossa santificação e a do mundo. Sabe que, ainda que tudo esteja negro, verá a vitória de Deus e que essa vitória nem sempre é tal qual pensamos.Fé, caridade, esperança, paciência, confiança. Quem a Deus tem, nada lhe falta. Corretíssimo. Mas, quem é mesmo que “tem Deus”. Todos. Porém, Santa Teresa fala aqui daquele que conhece Deus não por palavras e teorias, mas pela oração e pelo amor.


Em uma palavra, pelo relacionamento pessoal, relacionamento de amizade. Este, que ora com a Palavra, que tem a Deus como o centro de sua vida, que procura amá-lo em tudo, a este, nada lhe falta. Dele cuida o Pai muito melhor do que as aves do céu e os lírios dos campos, pois ele vale muito mais aos seus olhos.Nada te perturbe, homem de pouca fé! Nada te espante, mulher de pouca esperança! Tudo, mas tudo, mesmo, passa, exceto Deus. Fica, então, com o Único que é digno do teu amor e deixa-o cuidar de ti. Espera. Confia. Espera sempre, confia sempre. Quem tem a Deus, quem o conhece, quem confia nele, vive de forma diferente, vive de olho no céu e de coração no coração de Deus. Por isso, é tranquilo e feliz.Só Deus basta. Dedica-te a Ele. Deixa-te amar por ele. Ama-o. Nada, então, te perturbará.FirulasVivemos sobressaltados, preocupados. Estressados, acabamos por nos irritar contra tudo e todos. Gritamos no trânsito, gritamos em casa, desmoronamos de cansaço.O problema está, entre outras coisas, em achar que sabemos o que é o “melhor” e “pior”para nós.A raiz da inquietação, estresse, preocupação e ansiedade que aos poucos nos matam, contudo, reside além do fato de tudo passar, reside na fé.Há a fé que confia em Deus e a ele se entrega inteiramente, tranquila, pois sabe que ele é Pai e sempre providencia o melhor para nós. E, para Deus, o melhor para nós é a santidade.





por Emmir Nogueira, Co-Fundadora da Comunidade Shalom

Comunidade Católica Shalom

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

A sobriedade do jovem


Caríssimos filhos


Este encontro semanal do Papa com os jovens e os adolescentes — tão entusiasta e tão cheio de vivacidade verdadeiramente sinal de alegria e de esperança. Sinal de alegria, porque onde há jovens, adolescentes ou crianças, há certeza de alegria, uma vez que está a vida no seu florir mais espontâneo e viçoso. Vós possuís em abundância e dais generosamente esta "alegria de viver" a um mundo que às vezes esta cansado, desanimado, desconfiado e desiludido. Sinal de esperança é também este nosso encontro, porque os adultos — não só os vossos pais mas também os vossos professores e todos quantos ajudam o vosso crescimento e maturação física e intelectual — vêem em vós aqueles que hão-de realizar aquilo que eles, pela variedade das circunstâncias, não puderam talvez levar a termo.


Portanto, um jovem sem alegria e sem esperança não é autêntico jovem, mas homem murcho e envelhecido antes de tempo. Por isso vos diz o Papa: Levai, comunicai e irradiai a alegria e a esperança! O assunto da Audiência de hoje está profundamente relacionado com tudo o que recordei até agora: nas quartas-feiras precedentes, continuando o esquema deixado quase como testamento pelo meu saudoso Predecessor João Paulo I, falei das virtudes cardeais: prudência, justiça e fortaleza. Hoje quero deter-vos brevemente com a quarta virtude cardeal: a temperança, a sobriedade. São Paulo escrevia a seu discípulo Tito, que deixara como bispo na ilha de Creta: Exorta os jovens a serem sóbrios (Tit 2, 6). Seguindo eu também a exortação do Apóstolo das Gentes, desejaria começar por dizer que as atitudes do homem, provenientes de cada uma das virtudes cardeais, são entre si interdependentes e unidas. Não se pode ser homem verdadeiramente prudente, nem autenticamente justo, nem realmente forte, não se possuindo a virtude da temperança. Esta condiciona indirectamente todas as outras virtudes; mas também estas são indispensáveis para que o homem possa ser "temperante" ou "sóbrio".Temperantia est commune virtutum cognomen — escrevia no século VI São João Clímaco (Escada do Paraíso, 15) — isto é, poderíamos traduzir, "a temperança é o denominador comum de todas as virtudes".
Poderia parecer estranho falar da temperança ou da sobriedade a jovens e a adolescentes. Mas, filhos caríssimos, esta virtude cardeal é necessária de modo particular a vós, que vos encontrais no período maravilhoso e delicado, em que a vossa realidade biopsíquica cresce até à maturação perfeita para serdes capazes, física e espiritualmente, de enfrentar as alternativas da vida nas suas mais desvairadas exigências.
Temperante é aquele que não abusa dos alimentos, das bebidas e dos prazeres; que não toma desmedidamente bebidas alcoólicas; que não se priva da consciência mediante uso de estupefacientes ou drogas. Em nós podemos imaginar um "eu inferior" e um "eu superior". No nosso "eu inferior" exprime-se o nosso "corpo" com as suas carências, os seus desejos, as suas paixões de natureza sensível. A virtude da temperança garante a cada homem o domínio do "eu superior" sobre o do "inferior". Trata-se, talvez, neste caso, de humilhação, de diminuição para o nosso corpo? Pelo contrário! Esse domínio valoriza-o, exalta-o.
O homem temperante é aquele que é senhor de si mesmo; aquele em que as paixões não tomam a supremacia sobre a razão, sobre a vontade e também sobre o coração. Entendamos portanto como a virtude da temperança é indispensável para que o homem seja plenamente homem, para que o jovem seja autenticamente jovem. O triste e aviltante espectáculo dum alcoólico ou dum drogado faz-nos compreender claramente como "ser homem" significa, antes de qualquer outra coisa, respeitar a própria dignidade, isto é, deixar-se alguém conduzir pela virtude da temperança. Dominar-se a si mesmo, as próprias paixões e a sensualidade não significa de maneira nenhuma tornar-se alguém insensível ou indiferente; a temperança de que falamos é virtude cristã, que aprendemos com o ensino e o exemplo de Jesus, e não com a chamada moral "estóica".
A temperança exige de cada um de nós urna especial humildade a respeito dos dons que Deus colocou na nossa natureza humana. Há a "humildade do corpo" e a do "coração". Esta humildade é condição necessária para a harmonia interior do homem, para a sua beleza íntima. Reflecti bem nisto, vós jovens, que estais precisamente na idade em que tanto se estima ser belo ou bela para agradar aos outros! Um jovem e uma jovem devem ser belos primeiramente e sobretudo interiormente. Sem tal beleza interior, todos os outros esforços que só tenham o corpo por objecto não farão — nem dum jovem nem duma jovem — uma pessoa verdadeiramente bela.
Desejo, filhos caríssimos, que irradieis sempre beleza interior.



por Papa João Paulo II * 

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

As distrações na oração


O Papa João Paulo II, na carta "No início do novo milênio", convida toda a Igreja a tomar consciência de que não pode existir experiência de Deus, nem apostolado autêntico, nem amor fraterno, nem uma humanidade unida na construção da civilização do amor sem a oração.

Para que possamos fazer algo bom dentro e fora de nós, para que possamos produzir frutos abundantes na videira que é Cristo, precisamos entrar na plena comunhão com Ele. Repetimos várias vezes que a oração não é uma imposição, uma lei que nos obriga e escraviza, mas uma necessidade, uma urgência do coração que, sentindo-se solitário, exilado, incompreendido, busca ansiosamente um amigo que o possa amar e escutar. Na oração, Deus e o homem se amam reciprocamente, e um fica feliz de se contemplar no outro. Deus se contempla no homem criado à sua imagem e semelhança, e o homem se contempla em Deus, vendo a que é chamado a ser. 


A oração nos liberta de todos os nós, permite-nos levantar vôo. Santa Teresa de Ávila diz que somos chamados, como a pombinha branca, a alçar vôo para Deus, a entrar, vencendo todos os obstáculos, no castelo interior; e a porta pela qual entramos neste castelo é a oração.

Quando nos decidimos a rezar é porque nos encontramos em dificuldades e não sabemos como sair delas sozinhos, ou estamos tomados por uma alegria tão grande que não podemos fazer outra coisa senão gritar aos sete ventos: "Obrigado, Senhor". É algo maior do que nós. Os indiferentes, os insensíveis, os que se sentem bem com o "rastejar" e não desejam voar e ultrapassar o azul do céu para estar com o Senhor, nunca serão grandes orantes.

Mas, se rezar é tão bom - como dizem os místicos, os santos, os homens e mulheres que gastaram a vida toda procurando o rosto do Amado -, por que para nós há momentos em que a oração se faz difícil? Quais são as dificuldades maiores que encontramos na oração e como superá-las? Para vencer as dificuldades é necessário, antes de mais nada, ter muita confiança em Deus e pouca em nós. É ter consciência de que o Senhor nos dará a alegria de estar com Ele. Ele, como Pai amoroso, alegra-se quando nos vê lutando contra os inimigos que nos impedem de amá-lo e adorá-lo.

Não ter medo do fracasso

Todas as coisas têm as cores com que nós as pintamos; dependem do olhar com que as contemplamos. Para o pessimista, tudo vai mal; para o otimista, quase tudo vai bem.

Nossa oração é sempre atendida por Deus. Mesmo quando parece que não, Ele nos escuta e, na sua infinita sabedoria, nos dá o que necessitamos para o nosso crescimento. Somente Deus sabe do que realmente precisamos, e jamais Ele fecha o ouvido aos nossos gritos e súplicas. Quantas vezes na minha vida, quando era mais jovem, achei que Deus se "divertia", quase com um certo "sadismo", negando-me o que eu lhe pedia com tanta insistência. Mas, com o passar do tempo, sendo amadurecido ao sol do sofrimento e da experiência, fui vendo que Deus age de forma diferente. Fui me lembrando das palavras do profeta Isaías: "Os meus caminhos não são os vossos caminhos"; ou de Jesus: "O Pai sabe do que vocês necessitam antes que vocês peçam".

Ser confiante no amor misericordioso de Deus é deixar a Ele a liberdade de agir em nossa vida. Uma liberdade que sempre é colocada a serviço do ser humano. A oração, recorda-nos o Catecismo, é um verdadeiro combate. Uma vigilância perene sobre nós mesmos para não deixarmos entrar no coração os sentimentos que impedem o nosso encontro filial com Deus.

"Enfim, nosso combate deve enfrentar aquilo que sentimos como nossos fracassos na oração: desânimo diante de nossa aridez, tristeza por não ter dado tudo ao Senhor, por ter "muitos bens", decepção por não ser atendidos segundo nossa vontade própria, insulto ao nosso orgulho (o qual não aceita nossa indignidade de pecadores), alergia à gratuidade da oração etc. A conclusão é sempre a mesma: para que rezar? Para superar esses obstáculos é preciso lutar para ter a humildade, a confiança, a perseverança" (Cat, 2728).

Diante de tudo isto é bom nos convencermos de que a oração exige esforço nosso. Todo diálogo, para ser construtivo, vai exigindo uma constante atenção ao que acontece dentro de nós. Orar é abrir o nosso humano para que o divino possa entrar. Nunca devemos destruir a nossa sensibilidade, a nossa humanidade, mas torná-la mais atenta e aberta à ação de Deus em nós.

A alegria de ser distraído

Ensinaram-nos a considerar as distrações como a maior dificuldade da nossa vida de oração, a vê-las como "marimbondos" que não nos deixam tranqüilos quando queremos estar a sós com aquele que amamos, um empecilho no diálogo, no amor e na vida. Ser distraído foi considerado como algo desrespeitoso por aquilo que estamos fazendo. Diante desta dificuldade comum em todos nós devemos, sem dúvida, redimensionar a nossa atitude frente às distrações na vida de oração.

É preciso tomar consciência de que não somos distraídos somente na oração, mas em todas as atividades. Quantas vezes estamos diante da TV, mas o nosso coração, fantasia e pensamento estão tão distantes que perguntamos a alguém: "De que este programa está falando?" Ou quem de nós não se "pegou distraído" no trânsito a ponto de entrar numa rua errada? Ou ainda, durante o estudo leu cinco páginas e nada reteve na memória porque estava distraído... A distração, portanto, faz parte da nossa humanidade. Ninguém consegue pensar horas a fio no mesmo assunto e argumento. O ser humano é volúvel, tem necessidade de voar a tantos lugares, pensar em muitas coisas ao mesmo tempo... Como a abelha vai de flor em flor e, sem parar em nenhuma, vai sugando o néctar para sua vida pessoal e comunitária.

Ser distraído pode ser considerado não como um mal, mas como uma forte intuição do amor. Às vezes, pode ser o Espírito Santo querendo recordar-nos algo importante. Quem sabe você está rezando e, de imediato, vem-lhe o pensamento de que se esqueceu de desligar o gás da cozinha... Santa distração, que leva a correr e a evitar o perigo! Ou se rezando se "distrai" pensando nos pais, nos trabalhos, nas dificuldades, na falta de amor, nas pessoas... É o momento para você colocar tudo no coração de Deus e transformar essas distrações em motivações orantes para sua vida.

Diante das distrações, temos duas opções: assumir a nossa situação e o que nos vem à mente, ao coração, e fazer de tudo isso oração a ser apresentada a Deus, que é o melhor caminho; ou "chamar de volta" a nossa memória, a nossa atenção ao que estamos meditando. Este constante esforço é agradável ao Senhor porque manifesta o nosso amor e a nossa decisão de estarmos atentos à voz do Espírito.

É bom não perder tempo com as distrações, não se deixar atrair por elas, mas saber administrá-las com paciência e alegria. Quanto menos importância lhes damos, menos elas nos perseguem. Esta sabedoria é própria dos santos e de quem quer ser santo. "Pensar", nos adverte Teresa de Ávila, "o que estamos dizendo e a quem o estamos dizendo. Não seria justo falar com uma pessoa pensando em outras coisas ou com o olhar distante, como quem está cansado da presença do amigo".

Esta sabedoria está presente na pedagogia da Igreja que, no Catecismo, nos recorda: "A dificuldade comum de nossa oração é a distração. Esta pode referir-se às palavras e ao seu sentido, na oração vocal. Pode, porém, referir-se mais profundamente àquele a quem oramos, na oração vocal (litúrgica ou pessoal), na meditação e na oração mental. Perseguir obsessivamente as distrações seria cair em suas armadilhas, já que é suficiente o voltar ao nosso coração: uma distração nos revela aquilo a que estamos amarrados, e essa tomada de consciência humilde diante do Senhor deve despertar nosso amor preferencial por Ele, oferecendo-lhe resolutamente nosso coração, para que Ele o purifique. Aí se situa o combate: a escolha do senhor a quem servir. Positivamente, o combate contra nosso "eu" possessivo e dominador é a vigilância, a sobriedade do coração" (Cat, 2729-2730).

Quando percebemos que estamos "voando por aí", devemos aprender a voltar "ao assunto" e não permitir que alguém nos distraia do amor que devemos doar ao Amado. "Eu dormia, mas meu coração velava"...

Quem vive na tensão do amor será sempre como Maria, que "guardava todas estas coisas no seu coração e as meditava".

As distrações, as fantasias são as loucas da casa e por isso é preciso aprender a recolhê-las quando querem ir mais longe do que lhes é permitido. Superar as distrações é um exercício. Nunca chegaremos a evitá-las plenamente. Somente com uma graça especial do Senhor ou um êxtase ou uma visão, quando todas as nossas potências estão suspensas. Enquanto estivermos por aqui mesmo é preciso saber colocar, como nos diz o salmista, "freio e cabresto" às fantasias e distrações para que não nos levem longe do nosso Amado. É preciso dominar, administrar as distrações sem violência. O segredo é que, segundo a intensidade do amor que arde no nosso coração, estaremos mais atentos e fiéis ao amor do nosso Deus.

No passado eu ficava nervoso, inquieto, desanimado diante das distrações da minha vida. Hoje, quem desanima são as distrações, porque sabem que, quando batem à minha porta, na maioria das vezes, a encontram fechada.

É necessário vencer as distrações com a força do amor. Mas, se elas vierem, convém aproveitar o que trazem, reciclar tudo isso e transformar em oração. Mesmo quando as distrações trazem à memória o pecado, que é como lixo, é preciso lembrar que o lixo reciclado gera energia e força. Reciclar as distrações é fazê-las passar pelo coração de Deus. Que o texto do apóstolo Paulo possa nos servir como exemplo: "Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada? ... Mas, em tudo isso vencemos por aquele que nos amou" (Rm 8,35-37).

Nada pode nos separar do amor de Cristo. Nem as distrações, mágoas ou pensamentos inúteis; nada nem ninguém, porque Cristo é nosso e somos dele.

"...O intelecto não se fixa em nada, parece frenético, de tal maneira está descontrolado. Quem assim está verá, devido ao sofrimento que lhe sobrevem, que não é culpado por isso. Não deve afligir-se, porque é pior, nem se cansar em querer trazer à razão quem não a tem, isto é, seu próprio intelecto; reze como puder... De nossa parte, o que podemos fazer é procurar ficar a sós, e queira Deus que isso baste, como eu digo, para que entendamos com quem estamos e a resposta que o Senhor dá aos nossos pedidos. Pensais que Ele está calado? Mesmo que não o ouçamos, Ele nos fala ao coração quando de coração lhe pedimos" (Santa Teresa) 


Frei Patrício Sciadini, OCD 

Oração, intimidade com o céu

- “Pelo Coração nos unimos a Deus”

“Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria.”

(Santa Teresa do Menino Jesus)

Nosso coração é uma casa, onde existem cômodos, janelas, porta... e abrimos a quem queremos receber bem. É também o centro da nossa vida, centro escondido, sustenta toda vida em nós. É inatingível pela razão – se o cérebro parar de funcionar o coração continua a bater e não vice e versa. Apenas o próprio Senhor o conhece e pode sondá-lo. É o lugar da decisão, lugar da verdade, onde escolhemos a vida ou a morte. Nosso coração é o lugar do encontro com Deus, lugar da aliança. É o Espírito que impulsiona esse encontro íntimo, entre Criador e criatura. (CIC § 2563)

Quem ora em nós é o coração, impulsionado pelo Espírito Santo, pela sede da presença do Criador, do Amor. Se o coração está longe de Deus, toda expressão da oração é vã, pois ela passa a ser mecânica. Quando dirigida totalmente pela razão e não pela autenticidade do sentimento e do momento no qual estamos passando, a oração foge da sua essência que é buscar sem cessar, a presença de Deus.

“Ao vê-la chorar assim, como também todos os judeus que a acompanhavam, Jesus ficou intensamente comovido em espírito. E, sob o impulso de profunda emoção, perguntou: Onde o pusestes?. Responderam-lhe: Senhor, vinde ver. Jesus pôs-se a chorar.”(Jo 11,33-34)

Jesus expressa sua autenticidade, impulsionado de profunda emoção. Expressa todo seu amor por Lázaro e por aquelas pessoas que estavam feridas pela dor da perda de quem amavam. Ele chorou... é o impulso que o leva a dar os próximos passos para clamar a intervenção do Pai naquele momento.

“Tomado novamente de profunda emoção, Jesus foi ao sepulcro. Era uma gruta, coberta por uma pedra...” (Jo 11,38ss)

Se o nosso coração é o ponto de encontro com o próprio Senhor, é dele que deve brotar a oração. Dado este primeiro passo, tudo é conseqüência e conseguimos assim, expressar o sentimento de profundo amor ou busca diante Daquele que tudo pode realizar, por amor a nós.

Lançar os olhos para o céu, deve ser para nós uma busca da Face Sagrada do Senhor. É um simples impulso do corpo, que anseia ver aquilo que o coração já está gritando: a presença e intervenção do Amado Senhor, em quem nossa alma confia e suspira de saudades.

“Levantando Jesus os olhos para o alto, disse: Pai, rendo-te graças, porque me ouviste...”

(Jo 11,41ss)

Quando, a partir do coração, o sentimento tomou conta de todo nosso corpo, a expressão vai além de um olhar para o céu, mas quer ser ouvida, quer anunciar esse sentimento de busca de todo ser. É o momento onde reconhecemos o quanto precisamos de Deus e que toda maravilha se realiza por Ele em nossa vida.

Temos como prova desse grito de reconhecimento diante de Deus, a oração de Maria: “Minha alma glorifica o Senhor e meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador...” (Lc 1,46ss)

Maria, exulta em Deus... em seu grande momento de alegria, mas também em tempos de provação. E é pela provação que conseguimos mostrar o que realmente somos diante de Deus. Por menor que ela seja, os sentimentos do nosso coração, expressos nas nossas atitudes ou não, revelam quem realmente somos e assim, provamos para Deus – diante destes sentimentos e atitudes – todo amor que temos por Ele. Provamos também, até que ponto renunciamos a nossa vontade para que a Vontade de Deus aconteça, uma vez que Ele sabe (como Pai) o que é melhora a cada um de nós. E esta prova de amor dada por nós ao Pai é expressa através de nossa vida e de nossa oração autêntica. O Magnificat é a mais perfeita oração da alegria. Maria, cheia do Espírito Santo e cheia de Jesus em seu seio, exultou de alegria perante de Deus, reconhecendo-se pequena diante da grandiosidade de Deus. Seu coração estava cheio do mais puro sentimento e o Senhor se alegrou em Maria, no seu coração e na sua vida, fazendo dela sua morada, um Templo Santo, morada Do Salvador.

Que alegria é saber se colocar diante do Rei e preparar na morada do nosso coração, no nosso castelo interior uma habitação para Deus. Preparar o trono do Rei de nossas vidas e nos encontrar com esse Rei todos os dias para refletirmos diante de Sua sabedoria e para pedir aquilo que realmente nos é necessário, sem orgulho ou cobiça. Pedir somente aquilo que nos leva a amar mais. Quando pedimos algo a Deus das alturas de nosso orgulho e da nossa própria vontade, pedimos apenas o que nos convém e acabamos anulando a essência de Deus que é Amor e que só quer nosso bem. Não podemos continuar a colocar condições para amar a Deus. Ou seja, só amamos a Deus quando Ele nos dá o que queremos. Assim acabamos por nos tornar meros mercenários.

Quando nos dirigimos a Deus justificando nossos erros ou nos achando melhores ou maiores do que os outros, estamos mais nos distanciando de Deus do que criando vínculo de aliança eterna com O Amado. Seremos assim, eternos fariseus (cf.Lc 18,9-14). Ao contrário, irmãos amados e irmãs amadas, rasguemo-nos diante do Senhor, como quem somente quer receber amor e amar em plenitude, pois a oração é uma graça que só pode ser acolhida por Deus, diante de um coração humilde e pobre.

“É preciso se lembrar de Deus com mais freqüência do que se respira.”

(São Gregório Nazianzeno)

A verdade é que nunca sabemos o que realmente precisamos, sempre queremos mais e mais e mais... Sem Deus, o homem é oco e tenta ser preenchido por tantas outras coisas inúteis e vazias que fazem da nossa vida uma jornada de busca e procura de satisfação pessoal em bens materiais e apegos terrestres.

Que possamos buscar sempre a Deus e assim, viver na Sua presença, e tudo nos será dado de acordo com nossas necessidades. (cf. Mt 6,33)

Paz oracional para teu coração!

Fonte: Comunidade Beatitudes

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Não duvidar daquilo que a Igreja ensina

O Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e recordará tudo o que vos tenho dito” (João 14,25).
Antes de Jesus sofrer a Sua Paixão, na noite da despedida, naquela última Santa Ceia memorável, deixou bem claro aos apóstolos que eles teriam a assistência permanente do Espírito Santo. Sinta-se um instante naquela Ceia e ouça-O falar naquela noite memorável da despedida: “Eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Paráclito (Defensor), para que fique eternamente convosco. É o Espírito da Verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece, mas vós o conhecereis, porque permanecerá convosco e estará em vós” (João 14, 15-17).

Ora, como poderia a Igreja Católica se desviar do caminho de Deus se o Espírito da Verdade está nela e, com ela, desde o começo, e nela “permanece” sempre? Será que essa Promessa de Jesus não se cumpriu? Será que o Senhor mentiu naquela noite memorável? Não! Jesus foi enfático, o Espírito Santo não só “permanecerá convosco”, mais ainda: “estará  em vós”, eternamente.
Na mesma noite da despedida, Jesus ainda disse aos apóstolos: “Disse-vos estas coisas enquanto estou convosco. Mas o Paráclito, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinar-vos-á todas as coisas e recordará tudo o que vos tenho dito” (João 14,25).
Ora, como pode a Igreja se enganar na sua missão de levar os homens a Deus se o Senhor lhe prometeu na última noite: o Espírito Santo “ensinar-vos-á todas as coisas”? Observe que Cristo colocou o verbo no futuro: “ensinar-vos-á”; quer dizer: todos os dias daquele dia em diante, até Ele voltar. Ele continua a ensinar a Igreja, e a Igreja aos homens.
Nem tudo que a Igreja acredita está na Bíblia, muitas coisas o Espírito Santo ensinou para ela [Igreja] no decorrer dos séculos: é a Sagrada Tradição. É por isso que cremos nos dogmas ensinados pela Igreja hoje e sempre.
Aqueles homens simples da Galileia não tinham condições de assimilar todas as verdades da fé, toda a teologia que hoje a Igreja conhece (dogmática, cristologia, liturgia, mariologia, pneumatologia, escatologia, exegese bíblica…), depois de muito estudo e reflexão. Jesus, então, lhes explicou que o Espírito Santo de Deus, o Espírito da Verdade, os guiaria à verdade no futuro. Como poderá, então, a Igreja errar se o Senhor lhe prometeu que o Seu Santo Espírito da Verdade “ensinar-vos-á toda a verdade”, desde o começo? Note que o verbo está no futuro.
Uma grande prova de que a Igreja Católica não erra, no essencial, é que, em toda a sua longa história de 2 mil anos, nunca um Papa revogou um ensinamento sobre a fé ou a moral de um antecessor seu. O mesmo aconteceu com os 21 Concílios ecumênicos (universais) que a Igreja já realizou; nunca um Concílio revogou um ensinamento de fé de outro anterior. Esta é a marca do Espírito Santo na Igreja: não há contradição.
“Fora da Igreja não há salvação”, diziam os Santos Padres dos primeiros séculos da Igreja. E o Catecismo da Igreja Católica (CIC) explica o que isso significa: “Toda salvação vem de Cristo-Cabeça por meio da Igreja, que é o seu Corpo” (CIC § 846). Logo, sem a Igreja não pode haver salvação. Mesmo os não cristãos, sem culpa, podem se salvar se viverem de acordo com sua consciência, são salvos por meio da graça concedida à Igreja. Aqueles que, conscientemente, rejeitarem a Igreja, rejeitarão também a salvação. Jesus afirmou aos apóstolos, hoje nossos bispos: “Quem vos ouve, a Mim ouve, quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem Me rejeita, rejeita aquele que Me enviou” (Lc 10,16).

Só a eles o Senhor confiou o encargo de ensinar, sem erro, com a assistência do Espírito Santo. Por isso a Igreja é essencial.
A Igreja que Jesus fundou é a que “subsiste na Igreja Católica”, que tem 2 mil anos e nunca ficou sem um chefe, Sucessor de Pedro, que o Senhor escolheu.

Professor Felipe Aquino

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

o Sentido do sofrimento

. Vejo nos sofrimentos uma participação mais direta na paixão do Senhor Jesus. É preciso ver o nosso corpo como um prolongamento do mistério da encarnação e realizar em nossa carne o que falta à paixão do Senhor. O sofrimento como intimidade com a humanidade de Jesus e como solidariedade com milhões de irmãos que a cada dia carregam cruzes pesadas e sofrem o drama da solidão...
 Ó almas desejosas de andar seguras e consoladas nas coisas do espírito! Se soubésseis quanto vos convém padecer sofrendo, para alcançar esta segurança e consolo! E como, sem isto, é impossível chegar ao que a alma deseja, antes, ao contrário, é voltar atrás, jamais buscaríeis consolo de modo algum, nem em Deus, nem nas criaturas. Carregaríeis, de preferência, a cruz, e, nela pregadas, desejaríeis beber fel e vinagre puro e o teríeis por grande ventura, vendo como pela vossa morte ao mundo e a vós mesmas viveríeis para Deus, em deleites espirituais."(São João da Cruz - Ch 2,28)
 Tento descobrir qual é a causa do sofrimento. Se for por minha negligência, falta de amor ou imprudência humana, tento me converter. Se vem de Deus e sinto-me totalmente inocente, vejo nisto uma "noite escura, uma purificação" que devo saber acolher com alegria, porque serve para minha santidade. Na escola de São João da Cruz tenho aprendido muito sobre o sofrimento
 
 
 

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Viver a Santidade em tempos de pós-modernidade

Ir. Narcélio Lima, NJ*


RETORNO ÀS ORIGENS
A palavra consagração vem da língua latina: a preposição cum =com” e o adjetivo sacro =sagrado”. A consagração, literalmente seria, portanto, aquilo que torna sagrado. Pode significar algo ou alguém que é santo/ separado. O conceito que se tem de consagração, em especial na linguagem do Antigo Testamento, é familiar ao termo kadosh (santo), ou seja, na linguagem bíblica, para se referir ao sagrado usa-se a palavra ‘santo’, portanto, vale dizer que uma coisa sagrada é uma coisa santa (perfeita). “Não podereis servir a Javé, porque é Deus santo, é Deus ciumento, que não perdoará vossas rebeldias nem vossos pecados!” (Js 24,19). Aqui fala-se num contexto de Aliança, onde os ciúmes de Deus são a forma de ele expressar sua santidade, ele não tolera a competição nem a concorrência na entrega do amor leal, exige serviço exclusivo e total; ao não responder o povo assim, seu ciúme se inflamará e “acabará convosco depois de ter-vos feito tanto bem” (v. 20). “Agora, porém, se deveras escutais minha voz e guardais minha aliança, vós sereis MINHA PROPRIEDADE PESSOAL entre todos os povos, porque é minha toda a terra, sereis para mim um reino de SACERDOTES e uma NAÇÃO SANTA” (Ex 19,6). Existe uma relação muito íntima entre DEUS e seu POVO, daí podemos entender a ideia de pertença e consagração. Deus mostra sua soberania, dá a liberdade a esse povo e exige deste o comportamento ético, condição irrenunciável para ser sempre um povo santo, daí nasce o decálogo (dez mandamentos): para uma necessidade de testemunho público. O nome de Deus é santo, o seu santuário é santo, a cidade é santa (por isso é chamada Terra Santa), o culto, que deveria ser acompanhado de rituais de purificação, o seu ESPÍRITO SANTO, Jesus mesmo é chamado de O Santo de Deus… A sua Lei é uma lei de santidade (Lv 17-26). Deus pede isso do homem: “Sede santos, porque eu, Javé, sou santo” (Lv 19,2) e ainda: “Vós, porém, vos santificareis e sereis santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus” (Lv 20,7). A Lei de Santidade contempla, sem dúvida, uma relação muito estreita entre a santidade de Deus e a santidade do povo.
Para nós cristãos, ver a consagração no NT é chegar a uma denominação fundamental, pois ele concretiza as conseqüências imediatas entre Deus, o Espírito Santo e a sua Igreja. Nele, as realidades e mediações sacras mais importantes são transformadas pela vinda de Jesus, por exemplo: a lei, o templo, a morte (sua morte), o tempo, a palavra e os alimentos. Jesus é o cumprimento total das Escrituras e a radicalização, a maneira de superação de todos os dados revelados graças a sua “perfeição”. De agora em diante só existe uma realidade sagrada que é o CORPO DE JESUS CRISTO: “À Palavra se fez carne, e pôs sua morada entre nós, e vimos sua glória, glória que recebe do Pai como Filho único, cheio de graça e de verdade” (Jo 1,14). Com esta audaciosa afirmação, a Igreja crê, uma vez por todas que o Corpo de Jesus Cristo é o único lugar em que se encontra Deus: “Nele reside toda plenitude da divindade corporalmente” (Cl 2,9), e os cristãos compartilham essa plenitude. JESUS É O SANTO, hosios no grego. A Igreja se dirige a Deus chamando Jesus “teu Santo” = hagion, “servo-filho-servidor” (At 4,27-30), o “Santo de Deus ” (Mc 1,24; Jo 6,69). “Assim é o Sumo Sacerdote que nos convinha: santo, inocente, incontaminado, apartado dos pecadores, elevado acima dos céus” (Hb 7,26).
Na Bíblia, tudo se torna sacro ou consagrado quando recebe o toque do Espírito, por esse “toque”, tudo é transformado.

O HOJE DE DEUS E O NOSSO HOJE
A Modernidade foi um movimento que surgiu mais ou menos no século XII. Ela está muito ligada ao surgimento das universidades e ao espírito crítico-científico desenvolvido pelas mesmas universidades. Daqui nasce o fenômeno da secularização. A religião não perde seu lugar, porém se torna intimista, “subordinada” aos critérios da política e da sociedade. Desenvolveu-se uma visão puramente humana e científica das coisas: o que antes era algo positivo, passa a ser um problema. Deus aqui não é esquecido, porém se dá pouco importância ao que é sagrado, o que é pior que o ateísmo (indiferença religiosa). Com a religiosidade diversificada, a busca pelas seitas e religiões orientais é concretizada pelo simples fato de que suas filosofias não exigem compromissos mais rigorosos, especialmente no lado moral. É dessa ideia que surge o que conhecemos por NOVA ERA, que busca formar uma super-religião, eliminando todas, inclusive o cristianismo. O êxodo rural, o esfacelamento da família, que dificulta a catequese cristã e a marginalização afastam as pessoas da comunidade cristã.
Nossa Constituição traz logo em seu terceiro parágrafo, onde nosso fundador define o Instituto, o contexto histórico-cultural de nosso tempo, situando as duas guerras mundiais, fomentadas por povos que se denominam ‘cristãos’. A Igreja da América Latina questionou a evangelização de cunho europeu e reivindicou uma evangelização concreta e específica para nossa realidade.
§4. “Desse desafio nasceu a Nova Jerusalém!”
§5. “Se bem que tem raízes cistercienses (beneditinas), A NOVA JERUSALÉM QUER SER UM INSTITUTO NOVO, PARA RESPONDER ÀS NECESSIDADES NOVAS NUM CONTINENTE NOVO”.
Na solenidade de Todos os Santos de 2006, o Santo Padre Bento XVI deixou-nos uma mensagem que poderá ajudar a compreender melhor a vocação à santidade em nossos dias. Inicia com o pensamento de São Bernardo: “Os nossos santos não precisam das nossas honras e nada recebem do nosso culto”. E continua:
Para ser santo não é preciso realizar obras extraordinárias, nem possuir carismas excepcionais, basta simplesmente ‘servir’ Jesus, escutá-lo, segui-lo sem esmorecer perante as dificuldades (…) O exemplo dos santos é, para nós, um encorajamento a seguir os mesmos passos, a experimentar a alegria de quem confia em Deus, porque a única e verdadeira causa de tristeza e de infelicidade – para o homem – é viver longe d’Ele. (…) A santidade exige um esforço constante, mas é possível a todos porque, mais do que obra do homem, é sobretudo dom de Deus, três vezes Santo (…) Quanto mais imitamos Jesus e lhe permanecemos unidos, tanto mais entramos no mistério da santidade divina. Descobrimos que somos amados por Ele de modo infinito e isto nos leva… a amar os irmãos. (…) Tudo passa, só Deus não muda. Diz um Salmo: ‘Desfalecem a minha carne e o meu coração; mas a rocha do meu coração é Deus, é Deus a minha sorte para sempre’. Todos os cristãos, chamados à santidade, são homens e mulheres que vivem profundamente ancorados nesta Rocha; têm os pés assentes na terra, mas o coração está já no Céu, morada definitiva dos amigos de Deus”.

* Religioso do Instituto Religioso Nova Jerusalém.




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ______________________________________________________________________________________
CONSTITUIÇÃO: Instituto Religioso Nova Jerusalém, 2ª Ed. Fortaleza, 2002.
DICIONÁRIO TEOLÓGICO DA VIDA CONSAGRADA. São Paulo: Paulus, 1994.
OLIVEIRA, José Lisboa Moreira de. Viver os votos em tempos de pós-modernidade. São Paulo: Loyola, 2001.
PEREGO, Giacomo. Novo Testamento e vida consagrada. São Paulo: Paulus, 2010.
<http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=38668> Acesso em 30/06/2011.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011


Serei fiel a Tua Vontade!Cusque o que custar!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Retiro Mensal dos aspirantes

Muito obrigado Senhor por mais um retiro em que experimentamos mais do Teu amor!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Vida consagrada nasce da escuta da Palavra de Deus, diz Papa

Bento XVI visita religiosas do Mosteiro de El Escorial, na cidade de São Lourenço de El Escorial, na Espanha
No segundo dia da visita do Papa Bento XVI a Madri, na Espanha, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), o Santo Padre se encontrou com jovens religiosas do Mosteiro da cidade de São Lourenço de El Escorial e agradeceu a fidelidade de cada uma, à vocação que elas receberam.

"Cada carisma é uma palavra evangélica que o Espírito Santo recorda à sua Igreja (cf. Jo 14, 26). Não é em vão que a vida consagrada «nasce da escuta da Palavra de Deus e acolhe o Evangelho como sua norma de vida", ressaltou.



Bento XVI refletiu sobre a radicalidade evangélica como um testemunho de vida diante do relativismo da sociedade atual.  "A radicalidade evangélica é estar «enraizados e edificados em Cristo, e firmes na fé» (cf. Col 2, 7), que, na vida consagrada, significa ir à raiz do amor a Jesus Cristo com um coração indiviso, sem nada antepor a esse amor".

Recordando suas palavras na mensagem para esta JMJ, o Santo Padre afirmou que o mundo vive uma espécie de "eclipse de Deus", uma "amnésia" ou até mesmo "rejeição do cristianismo e uma negação do tesouro da fé recebida, com o risco de se perder a própria identidade profunda".

Diante dessas circunstâncias, o encontro pessoal com Cristo, que alimenta a vida consagrada adquire uma especial relevância e "deve revelar-se, com toda a sua força transformadora".

Radicalidade evangélica

Bento XVI explicou que a radicalidade evangélica se exprime "na missão que Deus vos quis confiar". "Desde a vida contemplativa que, na própria clausura, acolhe a Palavra de Deus em silêncio eloquente e adora a sua beleza na solidão por Ele habitada, até aos mais diversos caminhos de vida apostólica, em cujos sulcos germina a semente evangélica na educação das crianças e jovens, no cuidado dos doentes e idosos, no acompanhamento das famílias, no compromisso a favor da vida, no testemunho da verdade, no anúncio da paz e da caridade, no trabalho missionário e na nova evangelização, e em muitos outros campos do apostolado eclesial", explicou.

O Papa ressaltou que este é o "testemunho de santidade" a que Deus chama os consagrados. "Seguindo de perto e incondicionalmente Jesus Cristo na consagração, na comunhão e na missão. A Igreja precisa da vossa fidelidade jovem, arraigada e edificada em Cristo".

Após o encontro com as religiosas o Santo Padre se encontrou com jovens professores universitários na Basílica de São Lourenço de El Escorial, onde fez um discurso. 


Fonte: Canção Nova Notícias

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Eu miserável perdido em Teu imenso Amor

 Não consigo compreender como um Deus tão imenso se abaixe tanto a mim! 
Eu tão pobre e miserável, com tantos defeitos,mas amado por Deus...  Alegria Verdadeira sei que posso encontrar. Conforto,porto seguro,sustento nos meus passos fracos, só nEle  posso repousar e descansar! Quero corresponder ao teu amor Senhor, ensina-me  a ser mais Teu e menos meu, ensina-me  a doar-me mais ao meu irmão!


Que nos meus tantos medos e fraquezas Tua Glória seja revelada!Teu povo necessita ser atraído a Ti, mas parece loucura, Tu atrais os mais fracos para evangelizar aqueles que não te conhecem. Agora compreendo “que quando estou fraco, então, sou forte”. (Cf. 2Co 12.10), pois na minha limitação Amado Jesus, Amável Juiz, tu vais se utilizando para fazer os teus feitos.Aquilo que tu tens permitindo que aconteça são apenas aprendizagem, na Tua escola, para que futuramente os muitos que vierem a mim com as mesmas dificuldades eu possa acolhe-los e reanimá-los.Amado Jesus quero aprender a lição!Que o Teu Espírito Santo seja meu auxílio e que jamais esmoreça diante da caminhada, quero unido a Ti está sempre.

terça-feira, 12 de julho de 2011

O olhar fixo n’Ele

São Rafael Arnáiz Barón


“Agora compreendo muito bem esse caminho tão estreito que assinala São João da Cruz e que está entre outros dois, nos quais diz: oração, contemplação, consolos espirituais, dons da terra, dons do céu, etc. Pois bem, entre esses dois caminhos está o que eu digo e que somente diz nada... nada... nada...

Que difícil é chegar a isso. E para nós que andamos nos princípios, que fácil é equivocar-se, e quantas vezes queremos encontrar a Deus onde não está. E quando cremos haver lhe encontrado, nos encontramos com nós mesmos... Mas não há que desanimar pois tudo permite Deus para o bem da alma e, sem conhecer o fracasso, não se saboreia o êxito; e antes de aproximar-se de Deus não há mais remédio a não ser despojar-se de tudo e permanecer no nada, como diz São João da Cruz.

Pois bem, nada de novo te digo, e que Deus me perdoe o querer tratar coisas tão altas quando ainda, sem saber engatinhar, já quero voar... Esse tem sido meu pecado e continua sendo... Que importa se estamos acima ou abaixo, perto ou longe de Deus? Dirijamos a Ele nossos olhares e unamo-nos para louvar-lhe, uns na vida monástica, outros nas missões, outros no mundo, uns de uma maneira e outros de outra. Que importa? É Ele que plenifica tudo e se nos olhamos uns aos outros perdemos tempo... Muito formosa é às vezes a criatura mas sua visão nos distrai do Criador.

Devemos seguir com o olhar fixo n’Ele, quer estejamos entre santos quer entre pecadores... Nós não somos nada; nada valemos nem para nada servimos quando estamos distraídos e não fazemos caso do Senhor. Não percamos, então, tempo, e se com um pequeno sacrifício, com uma oração ou com um ato de amor, agradamos ao Senhor, então que possamos dizer que pelo menos temos servido para algo, que é para dar a Ele maior glória. Essa deve ser nossa única ocupação e nosso único desejo”.


São Rafael Arnáiz Barón
Carta de 23 de julho de 1934 a sua tia, Duquesa de Maqueda
Obras Completas, pp.223-238

No coração da Igreja,minha Mãe,serei tudo,serei o amor...




Meus imensos desejos me eram um autêntico martírio. Fui, então, às cartas de São Paulo a ver se encontrava uma resposta. Meus olhos caíram por acaso nos capítulos doze e treze da Primeira Carta aos Coríntios. No primeiro destes, li que todos não podem ser ao mesmo tempo apóstolos, profetas, doutores, e que a Igreja consta de vários membros; os olhos não podem ser mãos ao mesmo tempo. Resposta clara, sem dúvida, mas não capaz de satisfazer meu desejo e dar-me a paz.


Perseverei na leitura sem desanimar e encontrei esta frase sublime: Aspirai aos melhores carismas. E vos indico um caminho ainda mais excelente (1Cor 12,31). O Apóstolo esclarece que os melhores carismas nada são sem a caridade, e esta caridade é o caminho mais excelente que leva com segurança a Deus. Achara enfim o repouso.

Ao considerar o Corpo místico da Igreja, não me encontrara em nenhum dos membros enumerados por São Paulo, mas, ao contrário, desejava ver-me em todos eles. A caridade deu-me o eixo de minha vocação. Compreendi que a Igreja tem um corpo formado de vários membros e neste corpo não pode faltar o membro necessário e o mais nobre: entendi que a Igreja tem um coração e este coração está inflamado de amor. Compreendi que os membros da Igreja são impelidos a agir por um único amor, de forma que, extinto este, os apóstolos não mais anunciariam o Evangelho, os mártires não mais derramariam o sangue. Percebi e reconheci que o amor encerra em si todas as vocações, que o amor é tudo, abraça todos os tempos e lugares, numa palavra, o amor é eterno.

Então, delirante de alegria, exclamei: Ó Jesus, meu amor, encontrei afinal minha vocação: minha vocação é o amor. Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, tu me deste este lugar, meu Deus. No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor e desse modo serei tudo, e meu desejo se realizará.

por
Da autobiografia de Santa Terezinha

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Protagonista do milagre atribuído a João Paulo II revela detalhes inéditos de sua cura



A religiosa francesa Marie Simon Pierre revelou detalhes inéditos do milagre que permitirá a beatificação do Papa João Paulo II no próximo 1º de maio, como o fato de experimentar um grande desejo de rezar poucos instantes antes de descobrir que tinha sido curada do mal de Parkinson, a mesma enfermidade que sofria Karol Wojtyla.


Em uma entrevista concedida em 14 de janeiro à rede francesa KTOtv e à italiana RAI Vaticano, a religiosa relata que "o dia 2 de junho de 2005 foi o dia da minha cura. Esse dia pela manhã eu estava completamente impedida e já não podia mais".

"Pensei em procurar a irmã Marie (superiora de sua comunidade) para pedir minha demissão, deixar de brindar meu serviço na maternidade onde trabalhava com muitas pessoas sob a minha responsabilidade. Sentia-me muito pesada e me disse: é necessário que eu pare, que eu deixe o serviço. Eu não posso fazer que isto deixe de avançar, não é possível".

O pedido da irmã Marie Simon Pierre foi rechaçado com amabilidade e em troca sua superiora lhe propôs pedir a graça de sua cura ao João Paulo II.

Quando isto aconteceu, "sentimos por um bom momento uma grande mudança em seu escritório, diria que uma grande paz, uma paz muito grande e uma grande serenidade, sentia-me muito aprazível, ela também".

Nesse momento, pediu-lhe escrever o nome de João Paulo II em um papel. O avanço do Parkinson tinha afetado seu braço esquerdo e sofria de intensos tremores. Sua superiora lhe propôs escrever com a mão direita. "Disse-lhe que não podia porque minha mão direita também ficava a tremer, mas ela insistiu: 'sim você pode, sim pode'".

Escreveu algo ilegível mas pensou que de repente "ocorrerá um milagre se é que acredito".

"Fui e segui com meu serviço. Essa noite segui a jornada como de costume com a cena comunitária, logo um pouco mais de trabalho e depois a oração noturna na capela".

Ao retornar ao seu quarto, a irmã Marie Simon-Pierre se obrigou a escrever e teve uma grande surpresa ao ver que nesse momento ela pôde fazê-lo bem.

Passou uma noite tranqüila e dormiu bem, sem a insônia habitual que apresentava pela dor do Parkinson. Às 4:30 da madrugada do dia 3 de junho despertou sentindo que "já não era a mesma. Havia uma alegria interior e uma grande paz; e logo me surpreendi muito pelos gestos do meu corpo".

Ao mesmo tempo despertou nela "um grande desejo de rezar. Nessa hora não tinha autorização para rezar, mas rezei".

Rezou diante do tabernáculo do oratório da maternidade "sempre com uma alegria muito profunda" meditando ademais os mistérios luminosos do Papa João Paulo II.

Às 6:00 a.m. sua comunidade assistia à Eucaristia, assim que se dirigiu do oratório à capela.

Nesse trajeto "percebia que meu braço esquerdo já não ficava imóvel ao caminhar mas balançava normalmente. Na Eucaristia tive a certeza de que estava curada".

http://www.acidigital.com/noticia.php



 Por este milagre, o Papa João Paulo II será beatificado no dia 01 de maio de 2011, na Festa da Misericórdia.


Bem-aventurado João Paulo II, rogai por nós!